quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Radical

O ser humano é radical.
Eu acho mesmo é que, por mais que alguns lutem pelo contrário, nós só conseguimos viver se industrializarmos as coisas. Digo industrializar no sentido de criar um modelo e fazer, ou tentar fazer, uma linha de produção desse modelo, seja uma ideia, uma dieta, moda ou uma regra qualquer, e transformá-lo em um produto para vendê-lo.
Quando acreditamos em alguma coisa, nos esforçamos para convencer as pessoas de que isso é o correto, o melhor, o ideal e de que todos deveriam ser, pensar ou fazer isso.
Muitos falam e contestam o capitalismo, a forma como ele trabalha para embutir ideias, dietas, moda, cultura, pensamentos, tudo em nossas cabecinhas influenciáveis, mas esses muitos também não trabalham para fazer o mesmo porém com ideias e etc. diferentes?
Veja, é comum consumir carne. Vemos propagandas de carne na TV, sabemos que a indústria da carne é gigante e que faz isso ou aquilo (que não preciso ficar detalhando aqui, pois todo mundo sabe muito bem como tudo funciona, hoje em dia. O Facebook, o Google e o Youtube ensinam tudo!) e a maioria das pessoas come carne e acha que isso é certo ou, pelo menos, "normal". Muitas pessoas, principalmente nos últimos anos, têm se tornado vegetarianas ou veganas (deixando de comer carne e produtos derivados de animais) e essas pessoas acreditam que isso é certo. Nos dois casos citados, as pessoas não passam simplesmente a comer ou a deixar de comer carne, elas passam a tentar doutrinar os outros.
Por quê? Porque temos a necessidade de impor pensamentos, de comandar, de influenciar, de conseguir súditos, pupilos, seguidores... 
Como políticos natos que somos, tentamos convencer todos ao nosso redor de que nossas ideias são as mais certas, mais saudáveis, mais evoluídas, mais felizes, mais mais.
A gente se acha tanto, que fica dando opinião na vida dos outros e estigmatizando esse ou aquele "tipo de gente" o tempo todo! Isso é tão comum que os sites de relacionamento social trazem os campos "comentar, curtir e seguir" a pessoa e as postagens dela.
Claro que não estou aqui defendendo a ditadura, a hipocrisia ou a falsidade em que ninguém pode dizer e expor o que pensa e sente. De jeito nenhum!!! Eu sou totalmente a favor da liberdade de expressão. Mas também sou a favor da compreensão e daquela esquecida atitude de pensar antes de falar. Porque nem sempre estamos certos, às vezes o meu certo não é o seu certo e, às vezes, eu não tô nem aí pro seu certo, ou você pro meu.
Eu não gosto de estigmatizar as pessoas nem de ser preconceituosa, mas tenho que admitir que não gosto de pessoas que acham que podem dar lição de moral nos outros, por exemplo, não gosto de gente que malha e acha que quem não faz isso é errado, não gosto de gente que come ou não certas coisas e acha que pode apontar para os que comem ou não outras coisas com aquela cara de nojinho, não gosto de gente magra que acha feio ser gordo ou gordo que pensa "dane-se ser assim", não gosto de gente que só anda na moda e acha graça de quem não liga pra ela e nem de quem usa qualquer roupa em qualquer lugar e se acha mais evoluído por isso...
Enfim, eu sou igual a todos esses exemplos que dei, porque reparo mais no que os outros acham, gostam, fazem ou não e tomo decisões de gostar, seguir ou não essas pessoas antes de saber do que eu gosto, como eu penso e o que eu acho certo ou não fazer. Eu sou gente e gente é assim (ou não).

OBS: Não quis fazer nenhuma crítica específica a alguém com esse texto, a não ser a mim. Mas se você leu e achou que serve pra você também, legal, fico feliz. Se você leu e se incomodou, problema seu, não meu. Se você quiser fazer algum comentário, seja ele qual for, será bem-vindo, eu adoro saber a opinião dos outros! hahahaha

Beijos de batom...

3 comentários:

  1. Adorei o texto! Realmente quando fazemos algo que gostamos muito nós queremos "impor" isso às pessoas, queremos que elas gostem do mesmo que gostamos, que elas façam o mesmo que fazemos, etc. Não é muito fácil aceitar as pessoas quando elas são diferentes de nós, mas temos que nos esforçar pra isso, né? pois as diferenças que fazem o mundo ser interessante, rsrs.

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  2. Já que estou com insônia e com tempo, e em primeiro lugar gosto das suas idéias e de conversar com você, vou expor minha opinião (do momento). Eu sei que pode parecer fraqueza não ter uma opinião formada sobre tudo, mas pelo que já vivi até agora e diante da premissa "constante só a mudança" e/ou "cada cabeça uma sentença", vejo que o julgamento geralmente é muito limitado, uma atividade automática da mente, que faz associações a tudo que já tem armazenado; por isso que cada um interpreta de acordo com suas experiências. Porém, já temos condições de começar a direcioná-la (a mente ou os pensamentos) e a expandir sua capacidade de se colocar no lugar do outro e trabalhar a aceitação. Hum, difícil! Acho muito interessante, Pam, a maneira como você organiza o pensar, pois é muito importante refletir sobre o eu e sobre os outros; analisar terceiros, mas não esquecer de olhar pra si. Quando só criticamos os outros, não encontramos um meio para o crescimento, apenas nos tornamos reclamões e colocamos uma carga muito pesada sobre nossos ombros. Quanto à idéia de impor, posso falar principalmente a respeito do vegetarianismo e religião (realmente não acho que seja indireta pra mim!), vejo que há um sentimento maior de buscar aceitação, pois uma pessoa segura não precisa da aprovação dos outros, nem de seguidores. Posso falar um pouco da minha experiência: no começo, quando me apeguei ao vegetarianismo e à religião, eu estava à procura de algo que me preenchesse e me mostrasse que eu era boa ou na verdade que as outras pessoas acreditassem nisso e aprovassem para que eu pudesse acreditar em mim, que estava fazendo alguma coisa certa. Precisei me apegar forte a isso pois precisa de provas e muita força para acreditar em algo. Não sei se forcei alguém a acreditar nas mesmas coisas que eu (odeio isso), mas a idéia era evidente na fala ou eu me chateava exageradamente quando alguém me contrariava ou não se preocupava com meu modo de "ser". Hoje, já me sentindo melhor comigo mesma, vejo que não preciso me apegar a nada e nem provar nada a ninguém. Então, continuo fazendo uso da religião e ainda sou fã do vegetarianismo porque gosto, mas não tenho pressa, sigo minha intuição, sem atropelos. De vez em quando como carne, de vez em quando não; tento ser uma pessoa melhor, mas sei que não existe padrão, não preciso ser santa, nem me matar pelos outros. Sei que não preciso de rótulos para me definir, porque sou muito além deles e sei que não duram para sempre. O que permanece é o que aprendi com cada experiência dessas e a somatória do aprendizado resulta na minha maturidade. Por isso, pense, reflita, absorva o que é bom pra você, mas não julgue, pois a pessoa está passando por um momento que vai mudar. Eu sei que é muito mais fácil falar do que realizar e toda fala é até inconscientemente manipuladora ou esconde outras verdades, então não pense que eu sou só as coisas boas que falei, pois falei só um tiquinho do que penso que sei. Como você disse, tenho qualidades e defeitos como todo mundo, estou aprendendo e nem sempre consigo colocar tudo o que venho conhecendo em prática, mas tento e sinto que tentar é relevante! Se você conseguir, ajude a pessoa aceitando-a, conversando, e quem sabe mostrando que ela não precisa de rótulos. Mas lembre-se que você tentou comigo e eu só aprendi no meu tempo! Kkkk Então, paciência ou manda a pessoa praquele lugar!!! Paulete :)

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    1. É isso aí, Paulete! Mas meu texto não foi uma crítica negativa às pessoas, foi só uma observação. Eu realmente acho que somos todos assim, uns com mais intensidade, outros nem tanto. Quando se trata de religião então, aí o bicho pega! Por isso nem toquei nesse assunto no texto. Love u just the way u are!

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