Agora a Amy Winehouse é diva!
As pessoas são assim, adoram santificar os mortos e não dão valor aos vivos. Respeito muito a Amy por seu talento vocal, mas diva, pra mim, é muito mais do que ter uma bela voz...
No caso dela, só ouvíamos sua voz diferente (e um tanto quanto esganiçada, mas muito potente) nos CDs, afinal, ela estava sempre sob efeitos de drogas e raramente conseguia cantar suas próprias canções.

Diva deve ser algo a mais. Temos muitas divas brasileiras, trabalhadoras, esforçadas e que encaram a realidade nua e crua do dia-a-dia.
Minha avó, Antonieta, por exemplo, é uma diva, que perdeu o marido para o álcool aos 37 anos e criou cinco filhos sozinha, costurando noite e dia e passando fome, mas deu educação a todos e venceu sem jamais ter colocado uma única gota de álcool na boca, nem um cigarro, nem consumido nenhum entorpecente!
Se a Amy não tivesse a mídia a seu favor, se não tivesse acumulado (e gastado) milhões, seria apenas "mais uma drogada que foi tarde", como vejo, todos os dias, as pessoas comentando sobre meros mortais viciados que morrem pela droga, pela polícia ou pelo traficante...
Os fãs da Amy dizem com orgulho e lágrimas nos olhos: Ela era minha diva!
Enquanto isso, eu vejo familiares de viciados se escondendo e sofrendo um brutal preconceito da sociedade hipócrita, que marginaliza os comuns e santifica os famosos. Ninguém assume com orgulho que tem um parente viciado, só um ídolo viciado é que é legal, normal...
Amy, meu sincero respeito ao seu talento e às suas escolhas! Meus sentimentos por sua morte, realmente precoce, mas totalmente previsível. Sinto por ter escolhido a vida que teve e desperdiçado um grande talento e as grandes alegrias que ele poderia ter proporcionado, e envio boas vibrações para onde quer que tenha ido...