terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pausa para refletir

Acordei, ontem, com esse texto na cabeça... foi assim:

O EGO E EU

O Ego era surdo e meio cego. Eu era mudo.
Andávamos juntos, de mãos dadas. O Ego sempre um passo a frente, pois mesmo sem enxergar, via.
Tudo o que Eu ouvia e via, passava para o Ego por meio de gestos, apontando, como podia, pois ele logo entendia tudo, gritava alguma coisa e tomava uma decisão, que normalmente era de passar por cima, sem olhar pra trás.
Caminhando juntos, Eu que já era mudo, foi ficando também com o olhar embaçado e a audição bastante debilitada, pois o Ego gritava cada vez mais alto e, mesmo não vendo muito, reconhecia sempre seu reflexo em tudo que olhava.
Às vezes Eu achava que enxergava outros Eus, seres diferentes que caminhavam de forma diferente e agiam também diferente, mas o Ego parecia ler seus pensamentos e logo gritava que isso era um absurdo! E Eu esquecia logo disso e voltava a ver e ouvir apenas o Ego.
Um dia, Eu sentiu uma certa solidão e não enxergava nada mais ao redor além do reflexo do Ego, que aliás, já não caminhava mais ao seu lado, mas em seu colo, agarrado ao Eu, bem preso pra não cair e tapando sua visão completamente. E Eu estranhou por um momento, mas logo o Ego gritou o quanto aquilo era correto e fazia sentido e Eu concordou, porém aquela solidão e aquele peso do Ego começavam a incomodar o Eu. 
O Ego era pesado, gritava muito, transformava tudo que aparecia pelo caminho em seu reflexo e fazia com que tudo girasse em torno dele. Eu queria respirar. Eu então parou, puxou bem forte o ar, prendeu o fôlego por alguns segundos e soltou... o Ego caiu esparramado no chão e Eu quase desmaiou com a claridade que atingiu seus olhos.
No susto, Eu gritou...e ouviu seu grito... e se espantou ao descobrir que não era mudo, nem surdo, nem cego. Eu viu outros muitos Eus andando, felizes, diferentes, estranhos, bonitos, feios, alegres, tristes, arrependidos, decididos... Eu achou tudo lindo!!!! E, ao olhar novamente ao chão, o Ego já não estava mais lá na frente do Eu, estava um passo atrás, meio manco, já não tão cego nem surdo e parecia ter encolhido um pouco. Eu se sentiu aliviado.
Apesar do medo do Eu em enfrentar os outros Eus e suas diferenças, os dois continuaram a caminhada. Eu na frente, tropeçando bastante, mas sempre em frente. Ego atrás, gritando às vezes, vendo seu reflexo outras vezes, mas voltando a mancar e a se encolher, porque o Eu agora enxergava, ouvia e falava o que seu coração mandava e fazia o que sua razão achava correto.
Ah, sim, porque o Eu já não se sentia mais só. Além dos outros Eus, havia ainda o coração e a razão, que viviam brigando, andavam de costas um pro outro, se cutucavam, e vira e mexe se arranhavam, fazendo com que o Ego desse uns gritos e o Eu logo parasse para dar uns assoprões...



Esse texto foi escrito por mim e PARA MIM (só pra constar)!!!

Beijos silenciosos...

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