quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Poema de Gratidão

Quero, do fundo do meu coração, conseguir internalizar isso em mim um dia:



Senhor Jesus, muito obrigada
Pelo ar que nos dás,
Pelo pão que nos deste,
Pela roupa que nos veste,
Pela alegria que possuímos,
Por tudo de que nos nutrimos.



Muito obrigada pela beleza da paisagem,
Pelas aves que voam no céu de anil,
Pelas Tuas dádivas mil! 



Muito obrigada, Senhor!
Pelos olhos que temos.
Olhos que veem o céu,
que veem a terra e o mar,
Que contemplam toda beleza!
Olhos que se iluminam de amor
Ante o majestoso festival de cor
Da generosa Natureza! 


(...)


Muito obrigada pelos ouvidos meus,
Pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
O Teu nome sublime e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registram
A sinfonia da vida,
Do trabalho, da dor, da lida,
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
As lágrimas doloridas do mundo inteiro
E a voz longínqua do cancioneiro.


(...)


Obrigada, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
Pela voz que canta,
Pela voz que ajuda,
Pela voz que socorre,
Pela voz que ensina,
Pela voz que ilumina
E pela voz que fala de amor.
Obrigada, Senhor! 


(...)


Obrigada, Senhor, por estas mãos que são minhas
Alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
Pelas mãos que fazem ternura,
E que socorrem na amargura,
Pelas mãos que acarinham,
Pelas mãos que elaboram as leis
E pelas que as feridas cicatrizam
Retificando as carnes partidas,
A fim de diminuírem as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
Que amparam o sofrimento, estancam lágrimas,
Pelas mãos que ajudam os que sofrem
E os que padecem.
Pelas mãos que brilham nestes traços,
Como estrelas sublimes fulgindo nos meus braços! 



E pelos pés que me levam a marchar
Ereto, firme a caminhar,
Pés da renúncia que seguem
Humildes e nobres sem reclamar. 



(...)


Obrigada, Senhor, pelo meu lar,
O recanto de paz ou escola de amor,
A mansão de glória
Ou pequeno quartinho,
O palácio ou tapera,
o tugúrio ou a casa de miséria!
Obrigada, Senhor,
pelo amor que eu tenho e
Pelo lar que é meu.

Mas, se eu sequer
Nem um lar tiver
Ou teto amigo para me abrigar
Nem outra coisa para me confortar,
Se eu não possuir nada,
Senão as estradas e as estrelas do céu
Como sendo o leito de repouso
e o suave lençol
E ao meu lado ninguém existir
vivendo e chorando sozinho ao léu
Sem um alguém para me consolar,
Direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor, porque te amo
e sei que me amas,
Porque me deste a vida
Jovial, alegre, por Teu amor favorecida.
Obrigada, Senhor, porque nasci.
Obrigada, porque creio em Ti.
E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigada, Senhor! 


(Divaldo Preira Franco)


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